Archive for August, 2010

Perturbação da Paz pelos Candidatos

August 13, 2010

O som dos carros de som de propaganda eleitoral é infernal. Não sei se o carro está parado na avenida principal, ou se está circulando o quarteirão da minha casa, mas estou ouvindo a mesma gravação do Leonídio Bouças (veja aqui também) por no mínimo meia hora. A gravação está sendo tocada em volume bem alto, felizmente, alto o suficiente para tirar a nitidez do som e, embora ouvindo a mesma gravação a tanto tempo, ainda não consegui entender o número do candidato. Isso ao menos me tira a possibilidade de votar nele por lavagem cerebral.

Como disse meu pai, “a musiquinha é tão ruim que ela manda você preparar o seu ouvido.”

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Para que serve o software?

August 12, 2010

Atualização: O nome desse post faz com que algumas pessoas cheguem até aqui procurando por uma explicação mais objetiva do propósito de um software, e não a baboseira pseudo-filosófica que constituem o resto desse post; se você for um desses, por favor tente este outro post: Para que realmente serve o software?

De alguma postagem que eu fiz em algum fórum a muito tempo atrás… as alternativas são:

  1. Encher a barriga do programador.
  2. Ser pirateado.
  3. Fazer o computador funcionar.
  4. Facilitar a vida das pessoas.

Todas as alternativas têm seu fundo de verdade, mas prefiro acreditar que as primordiais são 3 e 4. Veja só, o software não foi inventado para deixar o Bill Gates rico, ele nada mais é do que o acessório maior do computador, que no final das contas foi feito para aumentar produtividade/facilitar o trabalho (depende de qual ponta você está enxergando). Daí tiramos a idéia básica de que software é uma ferramenta.

Analisemos as ferramentas em geral: alguém inventa uma ferramenta. Projeta, fabrica em série e vende. O preço final cobrado é, em sua maioria absoluta, o preço da matéria prima e dos custos de produção; o preço do projeto é um investimento cujo o retorno é completamente diluído no preço do produto final. Se você vende muito caro, alguém compra sua ferramenta, copia e vende mais barato (ou mesmo lê a sua patente, que é um documento publico).

Agora ao software: o único custo em se desenvolver o software é o “projeto” (em um sentido mais amplo, não “projeto de software”), pois o custo da produção em série é nulo, ou quase nulo. Software, em sua forma básica, não pode ser vendido, pois não é físico; uma cópia do software é vendida, e seu custo é ínfimo. É desse custo que deriva o preço do software pirata vendido nas ruas. Neste contexto, pela sua natureza especial como ferramenta, um software poderia ter alguma legislação própria, algo como alguma lei de propriedade intelectual específica que regulasse sua exploração por tempo determinado por seu fabricante.

Agora o que ocorre no mundo real. Software não tinha nenhuma regulação legal até que algum infeliz conseguiu inserí-lo na lei de “Copyright” estadunidense. A partir daí, da decisão de algum juiz estrangeiro que não ponderou as diferenças cruciais entre um software e uma obra literária qualquer, a idéia se espalhou pelo mundo e impregnou a nossa consciência: a lei de propriedade intelectual desenvolvida para obras literárias e artísticas também vale para software.

Começaram os abusos amparados pela lei: um software que tem um certo custo para ser produzido e mantido passou a ser vendido muitas vezes mais caro que o seu próprio custo, de modo que mesmo que 80% do software utilizado no mundo fosse pirata, o que foi pago já era suficiente para tornar os donos das empresas de software as pessoas mais ricas do mundo.

Bem, o software livre surgiu concomitante à aplicação da lei de direito autoral ao software: era um movimento dos desenvolvedores de software que viam o absurdo do que estava sendo feito: o software, ferramenta fundamental ao progresso da humanidade, sendo tratado de forma mesquinha para a criação de fortunas particulares, tudo isso amparado pela lei.

Chegamos no estágio que é hoje: as pessoas se esqueceram dos primórdios, a maioria nem tem idade para se lembrar ou não tomou conhecimento/deu a devida importância na época. É óbvio, está na cara, todos vemos que o modo de lucrar com software é patológico. A pirataria é estrutural, necessária e economicamente inexplicável. O software livre, que antes era restrito aos desenvolvedores mais antigos e não passava de birra, na última década contagiou usuários e novos desenvolvedores, na minha humilde opinião, como indicador social da falência do modelo econômico atual do software.