Closed Timelike Curve

May 4, 2011

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Projeto H2lios

April 22, 2011

Particularmente acho esse nome muito feio, mas foi esse o nome dado no documento motivador que meu pai me enviou para divulgação. Assim veio o email:

Segue o texto com a descrição do projeto de produção de hidrogênio a partir da energia solar e da água. Batizei provisoriamente de projeto H2lios.

Mandem para seus contatos e coloque no blog.

Por se tratar de assunto que envolve vários áreas de conhecimento, penso em juntar um grupo de interessados, multidisciplinar, de preferência vinculado à Universidade, de modo que possamos captar recursos para iniciar o experimento.

Além disso, pretendo constituir uma empresa para ser parceira no projeto e ajudar a bancar alguma despesa, assim como ajudar a comercializar os produtos que forem sendo criados. O objetivo é muito mais no sentido sócio-ambiental do que financeiro.

Sei que muitas boas pesquisas acadêmicas têm dificuldade de se expandir ou de alcançar o mercado por falta de empresas que apoiem o projeto, assim este é o objetivo da futura empresa.

Acho importante a participação do governo, não apenas como financiador ou apoiador das pesquisas, mas como indutor da aplicação de novas tecnologias, por meio de políticas públicas específicas. Se o governo não participar fica muito difícil crescer e desenvolver. Um grande exemplo recente disso é o bio-diesel, que mal foi desenvolvido em laboratório já entrou no mercado por uma decisão de governo. Se dependesse somente do mercado ele continuaria sendo uma promessa dentro de alguns laboratórios, até que alguém de fora, mais esperto o fizesse virar realidade e o Brasil perdesse outra oportunidade.

A hora de desenvolver tecnologia energética limpa é agora, ou fazemos isso, ou perderemos o bonde da história, como já aconteceu várias vezes no país.

Se surgirem interessados, estudantes, professores, empreendedores, etc. estou disposto a reunir, conversar e levar adiante a ideia, na qual acredito muito, embora, quanto mais leio e me informo sobre o assunto, mais vejo que há desafios a serem superados, tecnológicos, científicos e comerciais.

Se vocês tiverem alguma ideia de para onde posso enviar meu projeto me falem que estou disposto a fazê-lo.

Obs: Para quem não usa o Open Office, estou anexando uma versão do texto em pdf.

Corrado G Vella

Segue abaixo o texto:

Projeto H2lios

Produção de hidrogênio a partir da energia solar por meio de Concentrador Solar Linear de Espelhos Planos (COSOLEP).

Introdução

1 Atualmente, 2011, é quase consenso entre a comunidade científica de todos os continentes que as formas e fontes de energia que vêm sendo utilizadas pela humanidade, especialmente no século XX, são ambientalmente insustentáveis.

1.1 Seja porque provêm de fontes finitas, seja porque são poluentes e mudam o clima e o equilíbrio global, suja porque não são seguras ou todos os motivos anteriores juntos. Faz-se urgente o desenvolvimento de novas formas limpas de energia.

1.2 Mesmo as formas de energia renováveis, onde o Brasil se destaca do resto do mundo com o etanol de cana e as hidrelétricas, podem vir a ser insustentáveis ou insuficientes em longo prazo e em larga escala.

2 O simples desenvolvimento de novas fontes e formas de energia limpas e sustentáveis não são suficientes para reduzir em curto espaço de tempo as emissões e a poluição. É preciso também pensar em eficiência energética. Um bom exemplo são os motores automotivos que desde sua invenção não melhoraram quase nada sua eficiência. Até hoje apenas 27% da energia do combustível é utilizada para movimentar os carros.

3 Em vista do quadro existente, precisamos somar esforços aos outros países de todos os continentes que vêm pesquisando formas alternativas de energia e formas de melhorar a eficiência no uso da energia consumida.

4 Quando buscamos uma forma de energia limpa e inesgotável, na escala humana, consideramos imediatamente a fonte mais primária que existe, o Sol. Em seguida considera-se a forma mais nobre, mais desenvolvida, mais eficiente e de uso mais variado, a eletricidade.

4.1 Assim, é natural que uma grande quantidade de pesquisas são no sentido de converter a energia solar em elétrica com a máxima eficiência e o menor custo.

5 Considerando-se, entretanto, que os meios de transporte, principalmente carros e caminhões, consomem a maior quantidade de energia do país, somos levados a considerar formas limpas e eficientes de movimentar estes veículos.

5.1 De acordo com o Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) publicado pela CETESB, no ano de 2005 a energia era responsável por 15,0% da emissão de GEE no país. As atividades responsáveis pelas maiores emissores são o desmatamento (60,6%) e a agropecuária (19,0%). Considerando-se apenas o estado de São Paulo (que já é muito desmatado) a energia é responsável por 57,2% das emissões e a agropecuária por 21,3%. Neste caso o desmatamento não conta porque não ocorreu no estado.
A área de energia inclui os meios de transporte.

5.2 Neste campo, vem se configurando pela comunidade científica e tecnológica como “combustível do futuro” o hidrogênio (H2), devido às seguintes características:

  • O resíduo de sua queima é apenas água;
  • Quando recombinado ao oxigênio do ar em uma célula a combustível, produz energia elétrica e o resíduo novamente é apenas água;
  • Sendo um fluido (gás), teoricamente pode ser transportado, armazenado e distribuído em postos de combustíveis tal qual o gás natural atualmente. Neste caso a tecnologia para isso precisa ser desenvolvida em função das características do hidrogênio.

6 Assim passa a ser uma conclusão quase óbvia, que a melhor solução energética para o planeta passa pela captação da fonte primária mais importante, o Sol, e pela sua transformação em eletricidade e em hidrogênio por meio de um processo limpo e eficiente.

7 Vide artigos relacionados a produção e uso de energia solar, hidrogênio, consumo de energia, efeito estufa. São artigos curtos e de fácil leitura, mas dão suporte à proposta do projeto. O último link é um pequeno vídeo do YouTube sobre veículo movido a hidrogênio, vale a pena assisti-lo.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/905280-emissoes-de-gases-do-efeito-estufa-crescem-58-em-sp.shtml

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=fotossintese-artificial-hidrogenio-celulas-combustivel&id=010115100218

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=energia-solar-deserto&id=020175100728

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=megausina-solar-saara-fornecera-eletricidade-europa&id=010115090716

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=carro-movido-aluminio-latinhas-refrigerante&id=010170110421

A Proposta

8 O nome provisório adotado para o projeto é impronunciável “H2lios”, portanto sugiro pronunciá-lo como “hélios”. Este nome é um mnemônico que remete a H2 (hidrogênio) e a Hélios (Sol), que constituíram as fontes de inspiração.

8.1 Parte da inspiração veio do sonho de utilizar em larga escala o hidrogênio como combustível para a maioria das modalidades de transporte, considerando suas propriedades para esta finalidade. O sonho inclui cidades com atmosfera limpa e ruas silenciosas em relação ao padrão atual, onde seja possível ouvir as vozes das pessoas, o vento e as aves ao invés do barulho dos motores, principalmente de ônibus e caminhões.

8.2 A outra parte da inspiração veio de outro sonho para amplo uso da energia solar, como fonte limpa com possibilidades infinitas. Isto vem desde os anos 80, após conhecer alguns experimentos como: fogão rústico a energia solar, concentrador parabólico-linear para secagem de grãos e uma bomba d’água acionada diretamente por uma célula fotovoltaica.

9 O projeto H2lios abrange a cadeia de produção de energia passando pela captação da irradiação solar, concentração, transformação em calor, transformação em energia elétrica, e transformação e armazenamento na forma de Hidrogênio (H2).
9.1 Existe um vasto campo a ser explorado, caso as primeiras etapas se confirmem como viáveis. Constitui-se na produção e distribuição do hidrogênio e seu uso comercial.

9.1.1 As primeiras etapas aqui referidas são:

  • Captação e concentração da irradiação solar em concentrador linear de espelhos planos;
  • Produção de vapor super aquecido por meio do concentrador;
  • Acionamento de turbina a vapor para produção de energia elétrica.

9.1.2 A segunda etapa consiste na produção de H2 com a energia gerada, onde a primeira solução aventada foi através de eletrólise da água, forma que está sendo pesquisada por vários cientistas com objetivo de aumentar a eficiência e reduzir o custo.

9.1.3 A outra etapa, cuja pesquisa também é fundamental, refere-se ao armazenamento, distribuição e uso do H2 como combustível.

10 As várias etapas podem e devem ser pesquisadas concomitantemente. Cada uma delas pode produzir vários produtos tecnológicos que podem ser colocados no mercado tão logo estejam suficientemente desenvolvidos, independente da demais.

10.1 Por exemplo, a produção de energia elétrica pode ser um produto, independente dos outros, tão logo demonstre sua viabilidade e esteja suficientemente desenvolvido.

10.2 Os conhecimentos adquiridos e as tecnologias produzidas durante o desenvolvimento do projeto podem ser aproveitados para contribuírem com outros projetos que lhes sejam complementares.

11 A ideia básica do projeto consiste na construção de um concentrador composto por conjuntos de espelhos planos montados em sequencia. São várias filas de espelhos, paralelas entre si. Cada fila de espelhos é montada na horizontal, com orientação Norte – Sul, sobre um eixo que permite fazer movimentos de rotação para acompanhamento da trajetória do Sol ao longo do dia.

11.1 Cada fila de espelhos é controlada individualmente por um pequeno motor que liga por alguns segundos em intervalos programados. O controle é feito por um computador com software específico a ser desenvolvido no escopo do projeto. Assim cada fila poderá acompanhar o movimento do Sol ao longo do dia, de modo que os espelhos projetem seu reflexo sempre no mesmo local.

11.2 Cada fila de espelhos terá movimento giratório independente das demais, de modo que cada grupo de espelhos paralelos reflita toda a irradiação incidente, no mesmo local das demais produzindo a concentração desejada.

11.3 O receptor de calor será uma tubulação montada no sentido N-S, na horizontal, acima do conjunto de espelhos e paralela ao seu eixo longitudinal. Este coletor deve ser pintado com pintura absorvente e construído com material resistente ao calor, à pressão da água e ser um bom condutor de calor. Inicialmente pensa-se em fazê-lo com uma série de tubos de cobre de pequeno diâmetro, unidos lado a lado, formando uma espécie de “faixa de tubos”, com largura correspondente à largura dos espelhos e com comprimento correspondente à fila de espelhos acrescida do comprimento que permita receber o reflexo da irradiação durante o ano todo em função da declinação solar que ocorre entre os solstícios de inverno e verão.

11.4 Planeja-se fazer fluir água pelo coletor de calor, em vazão tal que, ao longo de sua trajetória atinja a temperatura adequada para produzir vapor a alta pressão.

11.5 O vapor produzido é enviado para um conjunto de turbina a vapor e gerador convencionais para geração de energia elétrica. O vapor, após passar pela turbina, retorna ao início do coletor fechando o circuito, de modo que não haja perda de água e a eficiência seja maximizada.

11.6 O circuito de retorno passa por baixo do conjunto de espelhos em dutos subterrâneos com a menor distância de percurso possível.

11.7 Dependendo dos resultados obtidos, o fluido pode ser substituído por outro que produzirá o vapor num trocador de calor. Esta é uma das linhas de pesquisa a ser realizada.

11.8 O concentrador de espelhos, a turbina e o gerador formam um conjunto, cujas partes devem ser construídas agrupadas ou próximas, para haver a menor perda energética possível.

11.9 Este concentrador, ao contrário da maioria, não é parabólico, mas sim plano. A superfície refletora possui movimento em 2D, ou seja, em torno de apenas um eixo e a concentração não ocorre num ponto focal, mas sim ao longo de um eixo. Espera-se que a simplicidade de operação e de montagem acarrete baixo custo e produza energia com alta eficiência.

12 A produção de H2, por eletrólise se constitui em outra frente de pesquisa, complementar, que pode ser feita em laboratório, preferencialmente próximo à fonte produtora de energia elétrica solar.

12.1 Esta área de pesquisas se concentrará em produzir H2 com a máxima eficiência a partir de água ou soluções não poluentes e de baixo custo.

12.2 A ideia fundamental é sempre da sustentabilidade econômica e ambiental do projeto, aproveitando a disponibilidade de calor e/ou energia elétrica produzidos a partir da energia solar e da água como matéria prima do H2. Existem diversas linhas de pesquisa no mesmo sentido, que precisam ser incentivadas e divulgadas. Vide o artigo: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=catalisador-baixo-custo-producao-hidrogenio&id=010115110421 .

12.3 Existem formas de produção de H2 utilizadas atualmente, que não são ambientalmente sustentáveis, como uso de Gás Natural como matéria prima. Superar esta tecnologia é um dos objetivos.

13 Finalmente, outra frente importante de pesquisas, que pode se associada à anterior ou ser desenvolvida por outras instituições parceiras, diz respeito ao armazenamento e distribuição do H2.

O Sonho, ou a Visão de Futuro

14 Este projeto, juntamente com os demais que estão em curso pelo país, poderão criar soluções e tecnologias que permitam, em poucos anos, a implantação de usinas produtoras de energia elétrica e de H2 totalmente limpas e sustentáveis.

14.1 Permitirão uma nova revolução nos sistemas de transporte. Nos libertarão da dependência dos hidrocarbonetos não renováveis de origem fóssil como fonte de energia. O petróleo continuará sendo a matéria prima de inúmeros produtos, sem necessidade de ser queimado. Suas reservas terão durabilidade infinitamente maior. Os riscos ambientais decorrentes de sua produção e comercialização serão extremamente minimizados.

14.2 Nossas cidades serão mais limpas e silenciosas. O aquecimento global será mais facilmente contido com as reduções das emissões de GEE (gases de efeito estufa).

14.3 As áreas desérticas e semi áridas poderão ser melhor aproveitadas. Menos hidrelétricas precisarão ser construídas, assim como menos termelétricas, menos usinas atômicas, etc.

14.4 Poderá haver menos concorrência pelas áreas agricultáveis entre alimentos e energia, haver mais áreas florestadas e um uso mais racional das terras.

Corrado Giovanni Vella
Engenheiro Civil
corrado.vella@gmail.com
Uberlândia/MG

Arquivos originais:

Livraria Saraiva e DRM

February 16, 2011

Hoje enviei isso como reclamação para a Livraria Saraiva:

Hoje notei a sua nova seção de livros digitais. Me interessei por ela pois eu tenho um leitor de livros digitais Amazon Kindle, o que me torna um cliente potencial. Entretanto, por vocês usam o esquema de DRM da Adobe, não consigo ler seus livros no Kindle. Só me restaria ler na tela do computador, mas mesmo que eu tivesse paciência para fazê-lo, o único aplicativo que vocês disponibilizam é para Windows, e eu só tenho Linux. Se um dia eu resolver procurar como quebrar o DRM da Adobe, só então talvez eu compre algum livro digital.

Já nos filmes digitais, vocês usam DRM Microsoft, que só é suportado no Windows, o que também me impede de ser seu cliente. É mais fácil eu baixar um filme ilegalmente do que conseguir comprar ou “alugar” o seu.

A paranoia de vocês com “segurança” (além de render rios de dinheiro para a Adobe e Microsoft) só serve de aborrecimento para seus clientes legítimos, e piada para os ilegítimos: http://bit.ly/eDlIBj

Dado o nível das respostas que eu já recebi quando reclamei com eles, deve ser perda de tempo. Não sei por que se davam a despesa de por um funcionário mal treinado para responder às reclamações sendo que um bot seria perfeitamente capaz de devolver emails já pré-fabricados. De qualquer jeito, fiz minha parte. Gastei cada um dos míseros 950 caracteres que eles nos dão para reclamar.

Update: Mais informações quanto a DRM de livros (em inglês):
http://www.techdirt.com/articles/20110211/00384413053/how-neil-gaiman-went-fearing-piracy-to-believing-its-incredibly-good-thing.shtml
http://factoidz.com/drm-restricts-ebook-purchasers-to-the-full-rights-of-their-ebooks/

Natal

December 5, 2010

É tão grande a alegria em tê-los, meus amigos
Que triste que não estamos no mesmo local
Pois cada qual lembre com seus entes queridos
Por quem é que comemoramos o natal?

Recordem-se também daquilo que aprendemos
Do que nos ensinou quem nasceu no natal
Lições das grandes virtudes que recebemos
A esperança, a fé, e o amor incondicional

Por muito tempo foram segredos da vida
Que vindos do natal, foram-nos revelados
Fariam de todos uma nação unida
Nem que somente no natal fossem lembrados

Tenham sempre consigo a virtude do amor
De longe, a mais plena realização humana
Muito bem faz quem amar aquele que te ama
Faz ainda melhor amar a quem te traz dor

Quanto à fé, rezo para que todos a tenham
Percebam, no mundo, o que supera a razão
E que sinta, cada qual, em seu coração
A grande certeza da divina união

Finalmente, tratemos do que é nosso alívio
Quando não temos, no mais, ao que se agarrar
Do desespero nos livramos por um fio
Com a esperança que tudo vai melhorar

Digo-lhes isso, amigos, com boa intenção
Creio assim ser o que mais vale no final
Ainda desejo a todos, de coração
Que tenham um muitíssimo feliz natal

Foi escrita em 2009, na madrugada de 24 para 25 de dezembro, em resposta a um e-mail de feliz natal de alguns amigos. E antes que algum infeliz venha lembrar, eu sei que a data é uma convenção…

The Cost of Free Software

October 6, 2010

So you have heard of free software? The kind of software you can download and use for free, like Linux and Firefox… Well, maybe you even heard that the software is free not because of its price (or lack of it), but because of the freedoms they allow, that is why some call them Software Libre, libre as in liberty.

If so, then have you ever thought about the cost of free software? I am not talking about price, the fee you pay to get your hands on a copy, I am talking about cost: the resources consumed so that software could be built. From resources it is easy to think about money, because it is the most generic form of resource invented in our society. Closely tied to money, there is another, most precious, resource: time. I dare to say that time is much more precious than money, because with time you can make money, so working for some hours is worth some dollars, but the inverse is not always the true. With money you can speed-up the building of a bridge, but there is a limit on how much this speed-up can be achieved with money, and with exponentially more money you can only speed-up the building linearly, saving you much less time than the money you spent. This is not the worst case: no money at all can bring back the weekend you missed far from your family while working for money, thus I may say that time is the most precious resource available.

So, what does it take to build free software? Well, pretty much what takes to build any software. First, it requires highly specialized professionals, that takes years to train in a painful process full of math, super complicated codes, languages and stunning logical puzzles. Well, it is so from the standpoint of most people, i.e. it is not so painful for the software developers, because they like it. The fact the developers like to be developers does not change the fact that it is not everybody that can stand their training, making these professionals a rare resource by themselves.

Secondly, it requires time. Only someone who has seen ten thousand lines of source code can have a glimpse of how complicated and time-consuming it is to build a software. It is a manual art, with each line of code requiring attention and care. I compare programming to any craftsmanship, like carpentry or masonry, that can take very big proportions, depending of the software being built. An average software takes pretty much the same numbers of workers and the same time to be built as an average building. The care needed in laying each brick manually is the same care needed to write each line of code. Give not the needed care, and we have bad buildings and bad software, if at all.

Summing up the time and work needed to build a software, we end up with very expensive products. Buildings have another cost software usually does not have: the materials (the cost of a computer is irrelevant if compared to the cost of the programmers), but on the other way, given the social injustice and the complexity involved in programming, it is far more easy to find qualified construction workers than qualified programmers. Since some nature law states that what is rarer is more expensive, getting workers for a software is very expensive.

That brings the question: if it is so expensive, where do the resources needed for developing free software come from, since I do not pay for it? For large and important free software projects, it is easy to answer: Linux is base for dozens of other system and products of very large corporations, so they pay full-time developers to work exclusively on Linux. Java is a core technology inside Oracle’s business model, so most of the effort in improving Java comes from them. This development model is the so-called Open Source, where the costs of developing a software is shared among business and individuals interested in it, by making and maintaining that software free.

Now we must not forget the force of great importance pushing forward the free software, the same force that made Linux prominent: the individuals. We would not have free software as we do today if it were not for the contribution of uncountable individual programmers, who spent their spare time working for no money in software, just for the fun of doing so. Many of these programmers are not concerned about ideology or economics of free software, and they do not develop free software for anyone but themselves. Even those individuals programmers need to eat, so many of them have full-time jobs, completely unrelated to their work on free software, that they use to pay the bills. As a hobby, they create free software.

These schemes of funding, both the corporate and individual, brings a disadvantage to free software in general: it is too developer-centric. In one side, we have corporate creating consumer goods using free software, being theses goods themselves not free, so there is no interest at all in making the free software friendly for the general public. In the other side, we have individual programmers developing for themselves, what, obviously, will not result in friendly software as well. As general rule, free software is not friendly for non-computer geeks. Some people try to overcome this limitation, like Canonical with Ubuntu. Although successful, it is not as successful as we would like it to be. Others truly were able to overcome this limitation, like Mozilla Foundation with Firefox. How? If you ask me, I would say that it is because that their founding is directly tied with the number of users of Firefox, using Google services through it, giving Mozilla some revenue.

So, the funding scheme of free software leaves it with a fundamental flaw, a flaw that disable us of gaining critical mass: end-users have no voice. Free software is not created for them, and if they do not want to use it, fine, go pay for Windows. To overcome this flaw, we could try to involve the end-user into the development process, and Ubuntu was able to do it at some extent, but it is a painful process, too. Since end-user has very little to contribute in practice to the development of the software, there is no incentive for them to take part in it, nor to the technical community to welcome them.

How to solve this problem? How can a non-programmer users be made an active and important part of the free software development process, as they are in non-free software? Well, I am not completely sure, but I have some ideas. Me and some friends are working on it, so far it is called Project Alvarium, and we hope to deliver something some day, preferably soon…

Sonho

September 22, 2010

Já está tarde agora
E estou eu com sono
Cansado por fora
Eu temo este sonho

Por temer o sonho
Que já começou
Ainda com sono
Dormir eu não vou

Que sonho mais belo
Surgiu de repente
E de tanto sê-lo
Ele ilude a gente

Por isso o medo
De ir descansar
Se tão perto chego
Dele despertar

Batizada agora, foi escrita na madrugada deste último sábado para domingo, sobre a mesa da sala, a caneta no bloco de anotações de um congresso de biologia que estava dando sopa por lá.

Não tinha gostado muito dessa poesia, achei difícil de entender no contexto específico. É difícil desenvolver um raciocínio usando redondilha menor. Mas relendo agora, achei até legalzinha, vista em um contexto mais amplo.

Another View on Playstation Jailbreak

September 8, 2010

Someone may remember when, years ago, I was telling everybody that Sony had created the greatest anti-piracy feature for Playstation 3 that ever existed in video-game. Don’t let them fool you saying it was strong cryptography and high-tech ultra “security”. No, none of this, nor any other tight control feature, never stopped hackers. What I believed that always has been the anti-piracy measure of PS3 was called “OtherOS”.

A hacker does not spend a great amount of resources working over a cryptography puzzle just to play free games. Being able to play free games is merely a consequence of his work — a consequence that usually gets all the fame. No, a hacker does that because he wants to dive into the machine, he wants to use it for whatever he wants, he wants to break the chains of the imposed authoritarian control. Nothing is more provocative than hardware fortress that, as they say, no one could enter. Unless…

Sony tells them: “Here is the machine. An incredibly powerful one, I must say. I just don’t want you to play free games on it. Besides that, you can use it for whatever you want. Thus, the OtherOS for you.” It does not matter it is crappy and inconvenient to use, that it is limited, that you can not use the GPU, that you have one less SPU. All that matters is that it is there, and you can use whenever you want. Why bother cracking it, when they already officially provided us with so much control, so much room to run around with our chains?

One may never really use it. I tried to program the SPU myself once, and barely got it working when I gave up. I must say, it never mattered most than the day they forced me into “up”grading my system to remove my OtherOS. They could not be serious… would they dare to remove that crappy functionality that was never useful to me, but that I cared so much? Well, they did. And that is the whole point. We lost the little control, the glimpse of freedom, we had. We could not withstand it.

On April, update 3.21, OtherOS was removed. On August, a USB device called PS Jailbreak is confirmed to totally own the PS3 fortress, by just plugging it. On September, after six months, the exploit that allowed PS Jailbreak to work was patched by update 3.42. Do you really think this is a coincidence? Do you think it will stop?

Update: It seems I am not the only one to think like this, see the videos of this talk in Berlin:
http://psgroove.com/content.php?581-Sony-s-PS3-Security-is-Epic-Fail-Videos-Within

Perturbação da Paz pelos Candidatos

August 13, 2010

O som dos carros de som de propaganda eleitoral é infernal. Não sei se o carro está parado na avenida principal, ou se está circulando o quarteirão da minha casa, mas estou ouvindo a mesma gravação do Leonídio Bouças (veja aqui também) por no mínimo meia hora. A gravação está sendo tocada em volume bem alto, felizmente, alto o suficiente para tirar a nitidez do som e, embora ouvindo a mesma gravação a tanto tempo, ainda não consegui entender o número do candidato. Isso ao menos me tira a possibilidade de votar nele por lavagem cerebral.

Como disse meu pai, “a musiquinha é tão ruim que ela manda você preparar o seu ouvido.”

Para que serve o software?

August 12, 2010

Atualização: O nome desse post faz com que algumas pessoas cheguem até aqui procurando por uma explicação mais objetiva do propósito de um software, e não a baboseira pseudo-filosófica que constituem o resto desse post; se você for um desses, por favor tente este outro post: Para que realmente serve o software?

De alguma postagem que eu fiz em algum fórum a muito tempo atrás… as alternativas são:

  1. Encher a barriga do programador.
  2. Ser pirateado.
  3. Fazer o computador funcionar.
  4. Facilitar a vida das pessoas.

Todas as alternativas têm seu fundo de verdade, mas prefiro acreditar que as primordiais são 3 e 4. Veja só, o software não foi inventado para deixar o Bill Gates rico, ele nada mais é do que o acessório maior do computador, que no final das contas foi feito para aumentar produtividade/facilitar o trabalho (depende de qual ponta você está enxergando). Daí tiramos a idéia básica de que software é uma ferramenta.

Analisemos as ferramentas em geral: alguém inventa uma ferramenta. Projeta, fabrica em série e vende. O preço final cobrado é, em sua maioria absoluta, o preço da matéria prima e dos custos de produção; o preço do projeto é um investimento cujo o retorno é completamente diluído no preço do produto final. Se você vende muito caro, alguém compra sua ferramenta, copia e vende mais barato (ou mesmo lê a sua patente, que é um documento publico).

Agora ao software: o único custo em se desenvolver o software é o “projeto” (em um sentido mais amplo, não “projeto de software”), pois o custo da produção em série é nulo, ou quase nulo. Software, em sua forma básica, não pode ser vendido, pois não é físico; uma cópia do software é vendida, e seu custo é ínfimo. É desse custo que deriva o preço do software pirata vendido nas ruas. Neste contexto, pela sua natureza especial como ferramenta, um software poderia ter alguma legislação própria, algo como alguma lei de propriedade intelectual específica que regulasse sua exploração por tempo determinado por seu fabricante.

Agora o que ocorre no mundo real. Software não tinha nenhuma regulação legal até que algum infeliz conseguiu inserí-lo na lei de “Copyright” estadunidense. A partir daí, da decisão de algum juiz estrangeiro que não ponderou as diferenças cruciais entre um software e uma obra literária qualquer, a idéia se espalhou pelo mundo e impregnou a nossa consciência: a lei de propriedade intelectual desenvolvida para obras literárias e artísticas também vale para software.

Começaram os abusos amparados pela lei: um software que tem um certo custo para ser produzido e mantido passou a ser vendido muitas vezes mais caro que o seu próprio custo, de modo que mesmo que 80% do software utilizado no mundo fosse pirata, o que foi pago já era suficiente para tornar os donos das empresas de software as pessoas mais ricas do mundo.

Bem, o software livre surgiu concomitante à aplicação da lei de direito autoral ao software: era um movimento dos desenvolvedores de software que viam o absurdo do que estava sendo feito: o software, ferramenta fundamental ao progresso da humanidade, sendo tratado de forma mesquinha para a criação de fortunas particulares, tudo isso amparado pela lei.

Chegamos no estágio que é hoje: as pessoas se esqueceram dos primórdios, a maioria nem tem idade para se lembrar ou não tomou conhecimento/deu a devida importância na época. É óbvio, está na cara, todos vemos que o modo de lucrar com software é patológico. A pirataria é estrutural, necessária e economicamente inexplicável. O software livre, que antes era restrito aos desenvolvedores mais antigos e não passava de birra, na última década contagiou usuários e novos desenvolvedores, na minha humilde opinião, como indicador social da falência do modelo econômico atual do software.

A Pirataria, o Povo e a Lei

July 19, 2010

Um evento recente ocorrido em São Paulo, noticiado na Folha em O Globo me motivou a pensar (ainda mais) no assunto. Até fiz descobertas decepcionantes sobre a lei brasileira.

Poderia resumir a notícia em: foram presos os donos de um site, por onde praticavam atividades ilegais. Responderão por um crime previsto no Código Penal Brasileiro e por formação de quadrilha, já que várias pessoas estavam envolvidas na feitura e manutenção do site. Se o crime fosse pedofilia, as pessoas falariam: “bom trabalho, polícia”. Entretanto, os comentários feitos pelos leitores dos dois jornais estão mais para “vão caçar bandidos” e “isso não é crime”, dentre outras coisas do tipo.

O crime em questão (fiz questão de olhar a lei apontada pela Folha, que, diga-se de passagem, tem uma reportagem muito mais completa, bem escrita, e menos tendenciosa do que a feita pelo O Globo), artigo 184 do Código Penal, se constitui basicamente da violação do direito autoral com a finalidade do lucro. Ao contrário do querem fazer você acreditar, o código diz explicitamente que ter uma cópia para uso pessoal não é crime.

A reportagem na Folha salienta que os donos do site ganhavam dinheiro através de propaganda e de doações, o que poderia ser considerado “lucro” para enquadrá-los no crime mencionado no Código Penal. Já a reportagem do Globo diz: “Um engenheiro de 32 anos […] foi preso […] pos suspeita de promover a pirataria na internet”. Desconsiderando a troca do “r” pelo “s” na palavra “por”, erro detectável por qualquer corretor ortográfico, a reportagem também peca por definir o crime como “promover a pirataria na internet”. O termo “pirataria” diz respeito a tantas coisas diferentes que a sentença pode significar desde incentivar pessoas a abordarem, de barco, outras embarcações para pilhar e matar (pirataria no sentido original), quanto a ensinar a fabricar cigarros com barbante e fezes de morcego e vender como se fosse Hollywood (cigarro pirata).

Claro que o contexto tornava a sentença bem óbvia e provavelmente todo mundo que leu entendeu como o redator queria que fosse entendida, já que foi escrita exatamente da forma como a indústria fonográfica interpreta e divulga a Lei de Direito Autoral: cópia de filmes e músicas pela internet é pirataria, uma prática extremamente vil e maligna, que deixa artistas, com seus cachês milionários, à beira da fome e da miséria.

Foi uma surpresa para mim saber que violação de direito autoral, mesmo que com o intuito de lucro, é uma ofensa criminal, prevista no Código Penal. Não é trabalho digno, que mereça remuneração, pegar um CD original, gravar dezenas de cópias, imprimir encartes, capas e montar caixinhas, e ir para a rua vender? É um trabalho cujo a renda sustenta muito mais famílias pelo Brasil do que a renda obtida com o preço obsceno dos CD’s originais. Claro que, enquanto alguns querem que as pessoas se sintam culpado por copiar filmes e música, as reações nos comentários das reportagens mostram que a maioria não pensa assim, e que eu não estou sozinho nas minhas convicções. O simples fato de ter gente tentando convencer que pirataria realmente é um crime horrível (e isso eu só achei dentre os comentários de O Globo), só mostra que as pessoas precisam ser convencidas disso, e que a lei não é natural, discordando da consciência coletiva. Se bem me lembro das aulas de filosofia no colégio, a lei deveria ser a representação escrita da consciência coletiva.

Você está satisfeito com a atual realidade da lei no tocante a direito autoral? Achou ruim essas pessoas da reportagem terem sido presas? Achou ruim ter um site a menos na internet onde se pode baixar filmes e seriados? Pois se você faz parte da maioria da população, e responde a estas perguntas do mesmo jeito que eu, deveria considerar que quem está errado nessa história é a lei, e não a população. Deveria pensar que não é a prática das pessoas com relação a lei que precisa mudar, e sim é a lei que deveria mudar seguindo a prática das pessoas.

Existem alternativas propostas com relação à lei de direito autoral atual. Incluem limitar o direito autoral a 15 anos a partir da data de publicação, não proteger materiais que não foram publicados no país ou que não possuem um meio oficial de se obter. Sejam quais forem as mudanças, o mais importante no momento é convencer as pessoas e o congresso de que estas mudanças são necessárias e urgentes. A situação está instável, de um modo que a coisa é ilegal mas praticável. Situações assim não tendem a perdurar (essa prisão é um sinal disso). Que seja essa lei antiga, de antes da internet, que se adeque a nós, e não nós a ela. Eu não quero falar um dia para o meu filho: “Na minha época, podia se conseguir praticamente qualquer filme ou música existente de graça pela internet, na maioria das vezes, de um dia para o outro. Hoje já não se consegue mais fazer isso… e eu não fiz nada para impedir que nos tirassem essa liberdade.”